Cinco maneiras de cortar custos de sua empresa usando tecnologia

22 Outubro, 2008

Por Alexandra Krasne, PC World/EUA

Publicada em 20 de outubro de 2008 às 06h00

Os custos de tecnologia podem devorar qualquer orçamento. Quer a empresa tenha apenas dois ou 200 funcionários, as dicas abaixo podem ajudar você a reduzir custos, economizar dinheiro e enfocar o que realmente importa: os resultados financeiros.

1. Use software gratuito

Vamos admitir: quando você está tentando manter sua empresa próspera, desembolsar uma grana alta por software de prateleira dói tanto quanto tratar uma cárie sem anestesia. Felizmente, freeware ou software barato podem ser uma surpresa agradável em termos de solidez e funcionalidade.

O OpenOffice.org não é refinado como o pacote Office da Microsoft (e não devora memória ou recursos), mas é uma alternativa de software livre gratuito, com um pacote completo de aplicativos para processamento de texto, planilhas, apresentações e bancos de dados, compatíveis com o Microsoft Office.

O Google Docs é outra alternativa viável e gratuita ao Microsoft Office – e não há software para baixar ou instalar. Embora ele não tenha a riqueza de recursos do Office ou do OpenOffice, sua funcionalidade básica e interface otimizada talvez sejam tudo de que você precisará.

Criar arquivos PDF pode ser crucial para os negócios, mas o CutePDF é um programa gratuito que apenas exporta arquivos para PDF.

 

2. Adote o trabalho remoto

O Gartner Research prevê que, em 2009, mais de 25% da força de trabalho norte-americana adotará a trabalho remoto. Trabalhar em casa permite que você economize em gasolina, mas continue igualmente produtivo, graças a ferramentas que facilitam conectar e colaborar (quase como se você estivesse no escritório).

Wikis simplificam postar texto ou documentos para que um grupo possa fazer comentários ou mudanças. Alguns wikis são gratuitos e públicos, enquanto outros são mais focados na corporação, com recursos de segurança mais robustos.

O PBwiki tem três modelos: Business, Academic e Personal. O site traz ferramentas de edição WSIWYG, espaço para armazenamento, criptografia SSL, notificações automáticas via e-mail ou RSS e controles de acesso. O preço é razoável – gratuito para um a três usuários, 8 dólares mensais por usuário para 4 a 99 usuários e 6 dólares mensais por usuário para 1.000 a 4.999 usuários.

O Google Docs, mencionado anteriormente, também proporciona uma maneira barata e fácil de compartilhar arquivos (e checar mudanças).

Se você treme ante a idéia de configurar uma VPN (virtual private network), serviços como o LogMeIn podem ser seu bilhete para acesso VPN remoto sem problemas.

O LogMeIn Hamachi promete configuração fácil com o uso de tecnologia peer-to-peer para permitir que funcionários fora do local de trabalho acessem arquivos. O serviço funciona dentro do firewall e a licença para custa apenas 5 dólares mensais por um usuário.

Se sua empresa não tem – e não precisa ter – um servidor centralizado, o Central Desktop é uma maneira de compartilhar documentos online sem nenhuma configuração. O site possibilita que grupos pequenos ou grandes compartilhem arquivos facilmente, rastreiem quem examinou quais arquivos (ou modificou-os) e configurem desktops separados para múltiplos grupos de usuários. O plano gratuito dá direito a 25 MB de espaço e suporta dois workspaces com cinco usuários cada.

 

3. Faça reuniões online

Por que tomar um avião para ver um cliente se você pode fazer uma reunião no ciberespaço? Com software de videoconferência gratuito, como o Skype, você só precisa de uma webcam, um PC e uma conexão à internet.

Além de eliminar os custos de viagens, vai economizar em chamadas de longa distância. Mas, como as ligações do Skype às vezes caem e podem ter interferência estática, faça algumas reuniões antes de descartar totalmente sua linha terrestre.

Se você quiser migrar para um serviço de conferência via web mais robusto, com o WebEx, da Cisco, você compartilha documentos, suporta quatro webcams e exibe apresentações a partir do desktop.

O GoToMeeting é outra solução que oferece VoIP, suporta reuniões com 15 participantes e permite que você faça apresentações, trabalhe em colaboração ou forneça treinamento a partir do seu desktop, economizando custos associados a viagens e espaço para reuniões. Quem não querer fazer apresentações de pijama?

4. Reduza os custos de impressão

De acordo com a GreenBiz.com, você não precisa gastar dinheiro para ser “verde”. Pode reduzir as despesas com papel se tirar copias em ambos os lados de uma página ou usar papel timbrado ultrapassado para memorandos internos.

Se o seu escritório distribui memorandos de papel aos funcionários, experimente colocá-los em um local central (um quadro de avisos perto do bebedouro, por exemplo) onde as pessoas normalmente se reúnem e poderão vê-los.

Outra dica é utilizar o modo rascunho da impressora para reduzir o uso de tinta e, assim, trocar os cartuchos com menos freqüência. O modo rascunho é muito mais veloz e consome menos tinta. Escolha a opção “printer friendly” para imprimir e-mail e páginas web.

Os cartuchos de tinta colorida, em geral, são mais caros. Você pode economizar se imprimir em escala de cinza usando apenas o cartucho preto. Assim, trocará seus cartuchos coloridos com menos freqüência. A maioria das impressoras oferece muitas configurações.

No software da impressora, procure recursos que proporcionam economia de dinheiro.

5. Use software de virtualização

Software de virtualização gera muita economia através da consolidação de servidores e da redução do tempo de backup e recuperação. Além disso, com menos servidores a conta de luz fica mais baixa.

As ofertas padrões da indústria da VMware variam de pacotes para gerenciar grandes data centers ao VMware Workstation para rodar múltiplos sistemas operacionais em um único computador. Você pode testar novos sistemas operacionais ou experimentar novo software sem correr riscos. O VMware Player, gratuito, permite importar imagens backup ou compartilhar dados.

O Virtual Server e o Virtual PC da Microsoft, gratuitos, permitem testar a virtualização. O Parallels é uma das soluções amigáveis com o Mac mais conhecidas.

O software roda sobre hosts Windows e Linux , bem como em Macs com o produto Parallels Desktop for Mac. (A VMware agora também oferece um aplicativo de virtualização para Mac.) A Parallels fornece pacotes de virtualização de desktop, servidor e automação com preços inferiores aos praticados pela VMware.

Se você preferir software livre, o FreeVPS é uma alternativa viável ao software comercial mencionado acima. Como outros software open source, o FreeVPS não fornece suporte oficial, mas o web site traz a documentação completa.

A economia está incerta, mas uma combinação de software gratuito, serviços gratuitos e uma certa dose de conhecimento pode ajudar qualquer empresa a frear os custos de tecnologia.

Alexandra Krasne, é editora da PC World, de São Francisco.


Especialista ou multitarefa? Saiba qual perfil é mais valorizado em tecnologia

12 Outubro, 2008

Por Amanda Camasmie, especial para o IDG Now!

Publicada em 06 de outubro de 2008 às 07h15

São Paulo – Novos cursos ampliam oportunidades para profissionais de TI. Especialistas indicam os perfis mais valorizados pelas empresas.

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Enquanto alguns cursos estão voltados a apenas uma especialização, outros apostam em abrir o leque para formar um profissional competitivo. Mas afinal, o que é mais importante na área de tecnologia? Ser especialista ou um profissional com múltiplos conhecimentos?

“As empresas estão em busca de profissionais especialistas, com sólidos conhecimentos em determinadas tecnologias, ferramentas e ambientes”, afirma Ercília Vianna, gerente de projetos da Célula de TI do Grupo Foco, consultoria de Recursos Humanos.

No entanto, o mercado hoje está mais exigente. Ele busca um especialista, mas ao mesmo tempo precisa de um profissional que conhece um pouco de cada área para prover a integração de sistemas. “Por exemplo, um programador pode ser especialista em certa linguagem, mas precisa conhecer, sem ser especialista, a parte de banco de dados, para que ele consiga efetuar, em um sistema, uma integração entre o back end e o front end da aplicação”, explica Rita Cury, gerente de Marketing e Produtos do Grupo Impacta Tecnologia.

Na prática, o profissional de TI precisa ter a visão macro de tecnologia da informação, e isso acabará sendo um diferencial. “Especialista não significa ser conhecedor de uma determinada tecnologia, mas um expert nas ferramentas que envolvem um determinado ambiente, ou sistema, da área em que o profissional atua”, aponta Ercília.

E é nessa onda que seguem os novos cursos da área. É o caso do Arquiteto de soluções, o especialista que antes era formado em uma única plataforma e agora pode suprir a necessidade de muitas empresas e ampliar seu conhecimento.

A pós-graduação em Sistemas Corporativos de Alto Desempenho: Mainframes e servidores de grande porte da FIAP, em São Paulo, é um destes exemplos. “O curso veio atender uma demanda de mercado que já havíamos identificado. Ele amplia os conhecimentos do profissional e foca todas as plataformas: mainframes, Risk/Unix e servidores Intel”, afirma Paulo Sérgio Pecchio, coordenador do curso de pós-graduação da FIAP.

Segundo Pecchio, as empresas hoje precisam de um profissional mais eclético, que atue em mais de uma plataforma. Ele atenta ao fato de que o profissional deve acompanhar o mercado. “A IBM nunca vendeu tanto mainframe como este ano. As grandes corporações não abrem mão do mainframe e as médias também estão direcionando sua plataforma a isso”. Comprovando a necessidade de profissionais na área, no final de agosto, a IBM anunciou um concurso da plataforma para estudantes.
Para realizar o curso de Sistemas Corporativos, o profissional precisa ter bons conhecimentos em pelo menos uma plataforma e uma vivência de três a quatro anos em uma empresa de médio ou grande porte. Além disso, deve ter graduações em engenharia, física, matemática, economia ou tecnologia da informação. “O candidato deve ter um curso superior com base em matemática e ter no mínimo um inglês intermediário”, explica o professor da FIAP. Os salários podem variar de 5 mil reais a 14 mil reais.

Oportunidades no ambiente digital

A PUC-SP também acompanha a maré e reformula a grade do curso de graduação Tecnologia e Mídias Digitais, oferecendo formação aos novos títulos de Designer de Interfaces, Designer Institucional e Gestor de Web – um profissional que faz o bacharelado pode ser contratado em qualquer um desses cargos.

“O aluno estará preparado para uma variedade de cargos profissionais. Tudo passa pela a web. Se você desligá-la, o mundo pára”, diz Sérgio Basbaum, coordenador do curso de Tecnologia e Mídias Digitais da PUC-SP.

A hipérbole retratada pelo professor demonstra a necessidade das empresas em cuidar da sua gestão digital. Pensando nesses fatores, o curso dividiu sua grade curricular em três grandes temas: web, jogos e tecnologias emergentes – dispositivos móveis, aplicativos, mídias locativas.

A função desse profissional generalista será montar a estrutura de comunicação digital, criar o processo de treinamento interno e gerenciar a arquitetura de informação do site. Além disso, ele deve entender de hardware, programação e questões da interface e da semiótica. “Esse profissional deverá saber as melhores maneiras de utilizar as possibilidades do mundo digital”, explica Basbaum.
Com um salário inicial que varia entre 2 mil reais e 4 mil reais, esse profissional “entenderá o que é streaming, download, Java, enfim, os diversos formatos de mídia existentes. Será um profissional completo”, ressalta Basbaum.

Ao identificar esse novo mercado, a Impacta lançou recentemente uma linha de treinamentos voltada para quem já concluiu o ICSs (Impacta Certified Specialist), em programação e banco de dados, ou possui conhecimentos equivalentes e quer desenvolver uma solução real, simulando um ambiente de fábrica de software.

“Neste treinamento, o aluno aprenderá a trabalhar em equipe em um ambiente corporativo e participará ativamente de todas as etapas de um projeto, desde a concepção e análise de requisitos, até a implementação das camadas de software, passando pela modelagem de bancos e classes”, explica Rita, da Impacta.

“Como o mercado está aquecido e existe um déficit de profissionais qualificados, aqueles que possuem boa formação, larga experiência e estão em constante aprimoramento se destacam e são, conseqüentemente, supervalorizados”, conclui Ercília, do Grupo Foco.

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O céu é o limite

12 Outubro, 2008

“O céu é o limite no que diz respeito à remuneração”

Carine Aprile Iervese, do A TARDE, 28/09/2008

“Se você deseja ingressar em um mercado de trabalho aquecido e com tendência a borbulhar ainda mais no futuro, aposte na área  de tecnologia da informação. A gerente de projetos especiais da IBM do Brasil, Sirlene Toledo,  destacou, na entrevista à repórter Carine Aprile Iervese,  dois segmentos que disputam profissionais qualificados e pagam muito bem por eles. Sirlene apontou também o que ainda está faltando nas pessoas que desejam entrar na área e por onde começar essa promissora trajetória.

A TARDE | O que se sabe é que há muitas vagas e poucos profissionais qualificados na área de TI, no Brasil. Como está esse déficit?
Sirlene Toledo |  Segundo a Assespro – Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação, Software e Internet, hoje, esse déficit é da ordem de 20 mil vagas não ocupadas por falta de pessoal capacitado. Segundo essa mesma associação, esse número deve chegar a mais de 100 mil
até 2010.

AT |  Quais os motivos para faltar tantos profissionais nessa área?
ST | Existem várias questão que levam a isso. A primeira é a baixa atratividade, aqui no Brasil, em relação as profissões relacionadas com tecnologia da informação. Na verdade, o brasileiro tende a gostar mais das carreiras ligadas a humanas. Tudo que é relacionado a exatas, os jovens têm menos interesse.   Essa é uma explicação. A outra é o próprio crescimento exacerbado. Nós temos um mercado interno de tecnologia da informação super expressivo e super aquecido. Existe um movimento chamado offshore, que é a movimentação de empregos. Hoje, com o avanço da tecnologia, os sistemas de uma empresa podem estar localizados em um país, os serviços em outro e a sede da empresa num terceiro. Então, com essa mobilidade toda de emprego também houve um aumento expressivo das vagas aqui no Brasil.

AT | O que acontecerá com este mercado com a falta de profissionais ou o que pode acontecer no futuro com esse alto déficit? Isso pode limitar o desenvolvimento das empresas?
ST | Em algum momento creio que vai limitar. Como a IBM tem uma marca muito forte, isso ainda não é um problema. Por ser uma empresa muito admirada, a atratividade é muito grande. Mas prevendo que isso possa acontecer no futuro, desenvolvemos parcerias educacionais para a inserção de novas pessoas no mercado.  Em geral as próprias empresas estão tomando para a si essa responsabilidade, através de projetos e parcerias com o governo, associações de classe, tentando desenvolver projetos e fomentar, tanto a profissão como também a oferta de vagas na área de tecnologia da informação.

AT |  O que pode atrair o jovem a ingressar na área?
ST | A primeira questão é divulgar um pouco o espectro das carreiras dentro da área. São muitas e, em geral, as pessoas conhecem mais as carreiras ligadas a programação. Não sei porque razão. Mas esta é uma carreira que depende muito do jovem conhecer lógica.  Mas, dentro do mercado de tecnologia da informação existem carreiras mais ligadas a administração. Vou te dar o exemplo de duas. O gerente de projetos, ele é um administrador e precisa conhecer um pouco da área, basta um conhecimento mínimo, nada profundo. A outra é a área de consultoria de negócios, que também o mercado está hiper-aquecido e são carreiras que não necessariamente estão ligadas a exatas. Então, conhecer todas essas possibilidades no mundo do TI seria muito interessante para o jovem.

AT | O que mais tem de atrativo neste mercado?
ST |  Na IBM, por exemplo, o plano de carreira é super extenso. As pessoas podem entrar como júnior, ou seja, ainda cursando o ensino médio técnico, ela nem se formou, e pode finalizar a carreira dela na empresa. Os dois últimos presidentes da IBM começaram a carreira como analista de sistemas. Então, o céu é o limite. E neste mercado globalizado, a gente não precisa restringir isso ao Brasil. Nós temos muitos brasileiros ocupando cargos lá nos mercados maduros, como a Europa – meu antigo chefe foi para lá – e agora também na Ásia. O jovem pode inclusive continuar na área técnica. Porque eu te dei dois exemplos de pessoas que foram para a área de gestão, viraram presidentes, mas existe o que a gente chama de carreira em Y. Ou seja, você pode continuar como técnico a sua vida inteira e continuar com a carreira ascendente.

AT | Dê um  exemplo…
ST | Têm pessoas que estão há 30 anos na IBM, mas ainda em ascensão. Ele começa como analista de sistema, pode virar um arquiteto  e chegar até a ser um pesquisador, trabalhando num dos nossos laboratórios. São carreiras de alta responsabilidade, porém não tem nada de gestão. Às vezes eles não têm nem funcionários para comandar. Se interessam mais por essa área técnica mesmo.

AT | E  o mercado de offshore?
ST | É um mercado globalizado que oferece muitas oportunidades. No entanto, para entrar nessa, o jovem precisa de duas coisas: a primeira é falar outro idioma fluentemente, de preferência o inglês, mas o espanhol é também muito importante e o francês. Então, qualquer segunda língua é importante, mas obviamente que o mercado de inglês é muito maior.

AT | E o mandarim, já está sendo requisitado?
ST | Não consigo enxergar isso num curto espaço de tempo, aqui no Brasil. Até porque demora muitos anos para você aprender o mandarim. Mas se eu fosse um jovem, eu me interessaria em aprender e eu começaria rápido (risos).

AT | Você citou duas características importantes. A primeira foi ter uma segunda língua. Qual seria a outra?
ST | A segunda coisa, a gente tem chamado de ciência de serviços. Todos os nossos cursos aqui no Brasil… Isso é uma tendência mundial, mas vamos falar de Brasil… Todos os cursos foram desenhados para as pessoas trabalharem no mercado de manufatura. Nenhum curso, a exceção de algumas opções de marketing que já existem, está deixam o profissional apto para trabalhar no mercado de serviços. Então, se a educação formal não me dá essas informações eu tenho que buscá-las de alguma forma. O ideal seria que as universidades fizessem isso. Já estamos conversando e algumas criaram cursos, outras desenvolveram disciplinas com este aspecto.

AT | Mas o que falta exatamente nesse sentido?
ST | O que está mais pegando é o comportamento dos profissionais. O comportamento tem que ser um pouco diferente do que acontece com a logística industrial. Quando eu vou trabalhar com serviços,  tenho que ter um comportamento um pouco diferente. Eu tenho que me preocupar não só com fazer bem as minhas tarefas. O olhar do profissional tem que estar no produto final, no que o cliente vai receber. Pode parecer uma coisa irrelevante, mas não é. A preocupação não é cumprir a minha tarefa. Minha preocupação é saber  se o cliente vai receber a coisa certa. Tenho que passar a atuar em um time, pensar em colaboração.

AT | Isso é uma característica específica dos jovens de hoje?
ST | A gente tem notado que essa nova geração veio um pouco mais individualista. Existem várias razões para isso. É forma como essa geração está sendo criada, sem mãe em casa, com pais que são workaholics, então ele olha e fala: “eu não quero isso para mim”. Então ele se torna egoísta e passa a se preocupar muito mais com ele do que com o resultado. Essa parte mais comportamental tem gerado um impacto muito grande para a gente. A falta de ter o foco no cliente, de se preocupar em atender bem as suas expectativas.

AT | Como este profissional vai em busca deste conhecimento? Existem cursos para isso?
ST | Algumas universidades já estão atentas para isso. Mas eu acho que os alunos  tem que demandar, porque essa é a forma mais efetiva para que isso mude. É a forma mais rápida da gente conseguir resolver este problema. Várias universidades do mundo já fizeram isso, então seria apenas uma adaptação. Não seria nenhum bicho de sete cabeças.

AT | Voltando um pouco às carreiras. Você poderia indicar quais são as especializações com maior déficit de profissionais?
ST | Existem duas áreas que estão absurdamente piores do que as demais. Uma é a de mainframe, ou seja, profissionais que saibam programar ou operar mainframe.  Em algum momento da história, houve uma falha de entendimento em relação ao mainframe, que as universidades deixaram de ensinar essa especialidade. Então, essa geração que trabalha hoje com mainframe está se aposentando. Como as escolas não formaram, ficou um buraco grande. O que acontece? É problema de um lado e oportunidade do outro. Esses profissionais ganham uma verdadeira fortuna no mercado. Então é um ótimo momento e um fator de atração absurdo.

AT | E a segunda área?
ST | São as profissões ligadas a tecnologia SAP, que é um software de gestão empresarial, que também tem um déficit de profissionais absurdo. Agora o que mais pega, na hora da contratação é quando vamos fazer o cruzamento em busca de um profissional que seja formado em TI e que tenha o inglês. Aí é que pega. Então, se eu pudesse dar um conselho para o profissional que já está em TI é: corra atrás de inglês. E se eu pudesse dar um conselho para aqueles que ainda estão buscando uma profissão eu indicaria esse mercado, que é super vasto, mas eu diria: comece a estudar inglês já, antes de entrar na faculdade. Já chega na faculdade falando, porque aí você vai chegar na frente.

AT | E a remuneração? Como é a variação salarial?
ST | É difícil a gente falar de médias, mas é uma área bem atrativa. Principalmente se você tem essas habilidades que eu citei. Uma coisa eu te falo, o céu é o limite. É aquela questão da oferta e da procura. A pessoa que sabe mainframe e sabe sobre esse software de gestão (SAP) não fica um só dia desempregado e está sendo disputado pelo mercado. Com certeza, pela lei da oferta e procura, esses salários subiram demasiadamente.

AT | Como ingressar na área?
ST | Aconselho que as pessoas procurem os cursos médios-técnicos. Acho que estes cursos são como uma prova de conceito. O jovem não tem maturidade suficiente para escolher uma profissão. Eu diria que é uma forma dele experimentar.  Quem conclui um ensino médio normal, se candidata a um curso técnico destes. Existem vários cursos tanto no nível federal, estadual, alguns até em nível municipal. Enquanto eles estiverem fazendo este curso não faltarão vagas, tanto para estagiário como para profissional mesmo.

AT | E a partir daí?
ST | A partir daí, eles checam qual área têm maior afinidade. Se é com a área de programação, que precisa ter conceito de lógica muito apurado, e tem a área de operação, que você vai trabalhar operando o sistema do cliente ou da própria empresa. Obviamente não abandonar a universidade. Nós incentivamos que o aluno siga a sua carreira, porque a gente não dispensa o diploma universitário de forma nenhuma. A gente aconselha essa passagem pelo ensino médio como uma forma de testar se realmente é isso que ele quer. Essa passagem pode parecer uma perda de tempo, mas na verdade pode poupar frustrações futuras na busca de uma profissão que você escolheu de maneira equivocada.”

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